Uma carteira de hardware mantém as chaves privadas longe de um dispositivo conectado à internet — uma proteção crítica que só funciona se a carteira gerar essas chaves corretamente desde o início.
O bug da Coldcard divulgado em julho de 2026 expôs uma falha nesse ponto de partida. Um erro de firmware fez com que os dispositivos afetados produzissem sementes de carteira com significativamente menos aleatoriedade do que o pretendido. Os atacantes não precisavam do dispositivo físico ou de interceptação de transações — uma semente suficientemente previsível poderia permitir que eles reconstruíssem as chaves em outro lugar.
Para usuários de Bitcoin, o incidente traz uma lição desconfortável: uma carteira offline é tão segura quanto o segredo que ela cria na configuração, e esse segredo pode ser falho antes mesmo da primeira transação ser assinada.
O Que Aconteceu com as Carteiras Coldcard?

Relatos de transferências não autorizadas de Bitcoin surgiram no final de julho. Um cluster amplamente examinado envolveu aproximadamente 594,5 BTC movidos de cerca de 500 endereços em um curto período. Estimativas posteriores se expandiram à medida que pesquisadores identificaram transações adicionais, mas o total final de perdas e a atribuição permanecem incertos.
A investigação encontrou um problema no processo de geração de sementes da Coldcard. Em vez de extrair consistentemente aleatoriedade do gerador de números aleatórios de hardware do dispositivo, o firmware afetado poderia recorrer a um gerador baseado em software inicializado com informações mais previsíveis do que uma semente de carteira segura deveria ser.
Isso não tornou todas as sementes imediatamente visíveis. Um atacante ainda precisava pesquisar entre as entradas possíveis e identificar endereços contendo fundos. Mas o espaço de busca era muito menor do que o nível de segurança que os usuários esperavam de uma carteira de hardware Bitcoin.
A análise do incidente do Bitcoin Optech descreveu a fraqueza como severa e aconselhou usuários potencialmente afetados a moverem seus fundos para carteiras criadas com software ou hardware não afetados.
O Problema Começou Quando a Semente Foi Criada
Uma carteira Bitcoin não guarda moedas dentro do dispositivo. Ela guarda as chaves privadas necessárias para autorizar transações. Essas chaves são derivadas da semente de recuperação gerada durante a configuração.
Uma semente segura deve ser imprevisível. Se a aleatoriedade por trás dela for forte, adivinhar a semente é praticamente impossível. Se essa aleatoriedade for enfraquecida, as palavras ainda podem parecer normais, mas representar muito menos combinações possíveis do que o esperado.
É por isso que o incidente da Coldcard foi especialmente perigoso. Nada na tela necessariamente dizia aos usuários que sua semente havia sido criada com entropia insuficiente. A carteira poderia receber Bitcoin, exibir endereços e assinar transações normalmente.
A fraqueza já estava embutida na fundação da carteira.
Quais Versões da Coldcard Foram Afetadas?
O escopo se expandiu à medida que a investigação continuava. Os primeiros relatórios focaram no Mk3, mas as orientações atuais cobrem versões afetadas em vários modelos e trilhas de lançamento da Coldcard.
A Coldcard lista os seguintes lançamentos mínimos corrigidos:
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Mk2 e Mk3: versão 4.2.0 ou posterior
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Firmware padrão Mk4 e Mk5: versão 5.6.0 ou posterior
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Firmware padrão Q: versão 1.5.0Q ou posterior
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Firmware Edge Mk4 e Mk5: versão 6.6.0X ou posterior
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Firmware Edge Q: versão 6.6.0QX ou posterior
Os lançamentos padrão atualmente recomendados são a versão 5.6.1 para Mk4 e Mk5 e a versão 1.5.1Q para o modelo Q. Os usuários devem verificar as informações mais recentes na página oficial de status de segurança da Coldcard, pois as orientações de segurança podem mudar.
A versão relevante é o firmware usado quando a semente foi gerada. Instalar uma versão corrigida hoje não adiciona aleatoriedade a uma semente criada anos atrás.
Uma Atualização de Firmware Não é uma Migração de Semente
O firmware atualizado corrige o processo usado para gerar segredos futuros. Ele não altera uma frase de recuperação existente ou as chaves privadas derivadas dela. Uma carteira com uma semente potencialmente afetada pode, portanto, permanecer exposta após o dispositivo ter sido atualizado.
A Coldcard aconselha os usuários afetados a seguir seu processo oficial de migração. Isso envolve criar uma nova semente em condições corrigidas, verificar a nova carteira e mover os fundos através de uma transação Bitcoin on-chain.
Os usuários não devem digitar sua semente antiga em um site, verificador online ou formulário de suporte não solicitado. Incidentes de segurança frequentemente atraem campanhas de phishing que imitam fabricantes de carteiras e oferecem serviços falsos de "verificação" ou "recuperação".
Uma pequena transação de teste e uma verificação cuidadosa de endereço podem reduzir erros operacionais durante a migração. O processo completo deve ser retirado das orientações oficiais da Coldcard, em vez de instruções de mídia social.
Uma Senha Protegeu as Carteiras Afetadas?

Uma senha BIP-39 forte e única pode adicionar outra barreira, pois cria uma carteira diferente sobre a semente subjacente. No entanto, a orientação atual da Coldcard diz que uma senha não repara uma semente afetada.
Sua proteção também depende da força. Uma senha curta ou comumente usada pode oferecer pouca resistência a um atacante que já está pesquisando sementes candidatas.
Usuários que adicionaram entropia suficiente gerada independentemente por dados podem se enquadrar em uma exceção específica no aviso. A Coldcard define as condições para essa exceção, incluindo pelo menos 50 lançamentos de dados justos, privados e registrados independentemente. Qualquer pessoa incerta sobre como uma semente foi gerada não deve assumir que a exceção se aplica.
O Que a Coldcard Mudou Após o Incidente
A Coldcard lançou firmware corrigido e adicionou mais controles ao processo de geração de sementes. A nova configuração de carteira padrão agora combina entropia de dispositivo nova com uma fonte obrigatória de entrada do usuário, como tempo de teclado imprevisível, lançamentos de dados físicos ou cara ou coroa.
A empresa também publicou evidências de verificações independentes direcionadas. Revisores confirmaram que o firmware corrigido acessa o gerador de números aleatórios de hardware e que os controles de compilação impedem que o fallback de software incorreto seja vinculado novamente.
Essas verificações apoiam partes específicas do reparo. Elas não são uma garantia de que todos os componentes do firmware passaram por uma auditoria independente completa ou que nenhum defeito futuro é possível. A própria Coldcard deixa essa limitação clara em sua divulgação atual.
A Semente Vem Antes do Dispositivo
O incidente da Coldcard começou com um pequeno erro de implementação, mas suas consequências atingiram a parte mais sensível de uma carteira Bitcoin.
Uma carteira de hardware pode isolar uma chave privada. Ela não pode fortalecer retroativamente uma chave previsível.
Para usuários afetados, a questão prática, portanto, não é se o dispositivo foi atualizado. É se a carteira atual foi criada usando um processo de geração de sementes afetado. Se a resposta for sim ou incerta, as orientações oficiais de migração importam mais do que a versão do firmware exibida na tela.
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Perguntas Frequentes
Qual foi o bug da carteira de hardware Coldcard?
O bug afetou como certas versões de firmware da Coldcard geravam segredos aleatórios da carteira. Um processo de número aleatório de software poderia ser usado em vez da fonte de hardware pretendida, deixando algumas sementes com menos entropia do que o esperado.
Todas as carteiras Coldcard foram afetadas?
Não. O risco depende do modelo, versão do firmware e como a semente foi gerada originalmente. Os usuários devem comparar sua configuração com o aviso oficial atual da Coldcard, em vez de confiar apenas no modelo do dispositivo.
A atualização do firmware da Coldcard protege uma carteira existente?
A atualização corrige a geração futura de sementes, mas não repara uma semente existente. Uma carteira potencialmente afetada deve ser avaliada e, quando necessário, migrada para uma semente recém-gerada.

